Suportar os meses de outono e inverno pode ser particularmente difícil para algumas pessoas. Mas o frio não é só uma questão de sensação. A verdade é que as temperaturas baixas podem ter impacto na saúde de diversas formas. Mas como? Que doenças podem piorar com o frio?

Infeções e doenças respiratórias

As infeções respiratórias, como a gripe e a Covid-19, são mais intensas e ocorrem com maior frequência nos meses de inverno.

A pensar nisso, todos os anos, a Direção-Geral da Saúde (DGS) realiza campanhas sazonais de vacinação contra a gripe e contra a Covid-19, com o objetivo de “incentivar a população mais vulnerável a vacinar-se nas estações em que estas infeções são mais comuns, conferindo deste modo um reforço da proteção”, explica-se num texto do balcão digital do Serviço Nacional de Saúde (SNS 24).

Além das infeções, outras doenças respiratórias também podem agravar com o frio. Tal como explicava o presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia, Jorge Ferreira, a asma pode piorar no inverno, dado que esta “é uma estação que pode trazer alguns desafios para os doentes asmáticos”.

Existem vários motivos que justificam o agravamento dos sintomas. O pneumologista destacava quatro: o ar frio e seco, as infeções respiratórias, o tempo que se passa em espaços fechados e a exposição a aparelhos de ar condicionado e a lareiras.

Para quem tem doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), o inverno também pode ser uma altura complicada para lidar com a patologia. Num texto do Serviço Nacional de Saúde britânico (NHS, na sigla inglesa) refere-se que as pessoas com DPOC “podem ser particularmente suscetíveis aos efeitos do tempo frio, apresentando falta de ar e tosse mais frequente do que o habitual”.

AVC e enfarte

Quando está frio, os vasos sanguíneos constringem-se (vasoconstrição), para que o corpo perca menos calor. Este processo faz com que a pressão arterial e a frequência cardíaca aumentem e com que “o coração trabalhe mais para bombear sangue pelo corpo”, explica-se num texto informativo da Fundação Britânica do Coração.

Apesar de esta ser “uma resposta normal ao frio”, “o esforço extra pode ser mais difícil para pessoas com problemas cardíacos”.

Além disso, “o tempo frio também pode fazer com que o sangue fique mais espesso e viscoso, o que, em casos raros, pode levar à formação de coágulos sanguíneos”, lê-se. Isso “pode aumentar o risco de enfarte ou acidente vascular cerebral”.

Articulações e músculos

O frio tem influência “nas dores em geral, nomeadamente em pessoas que já têm patologia prévia osteoarticular, tais como artroses e problemas de hérnias discais”, explicava o anestesiologista Armando Miguel Barbosa.

No fundo, a dor existente – tanto articular, como muscular – pode piorar no inverno devido não só ao frio, que pode causar rigidez e dor nas articulações, mas também às mudanças de temperatura e da pressão atmosférica.

Enxaqueca

Existem vários fatores que podem desencadear crises de enxaqueca, sendo que esses gatilhos “não são iguais para todas as pessoas” com a doença “e vão variando ao longo da vida”, explica-se na secção de perguntas e respostas do site da Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC).

Os “fatores climáticos” fazem parte dos gatilhos “que mais frequentemente desencadeiam crises de enxaqueca”, sublinha-se.

Segundo o site da Fundação Americana da Enxaqueca, incluem-se: “mudanças de temperaturas, seja do verão quente para o outono frio ou do inverno frio para a primavera amena”; “luz solar intensa ou brilho do sol”; “calor ou frio extremos”; “humidade ou ar seco”; e “tempo ventoso ou tempestuoso”.

Doenças de pele

O frio também pode contribuir para a intensificação de sintomas e/ou manifestações de algumas doenças de pele.

Embora possa não acontecer com toda a gente, o frio e o ar seco podem agravar o eczema, a psoríase e a rosácea, porque estas doenças tornam a pele muito sensível

Noutro plano, existe uma condição, na maioria dos casos, causada por exposição ao frio e à humidade: as frieiras.

Tal como tinha esclarecido a dermatologista Margarida Gonçalo, em declarações anteriores ao Viral, as frieiras (também conhecidas como perniose) são “uma inflamação da pele após exposição ao frio”, que não precisa de estar associada a uma “congelação”.

Aparecem, sobretudo, nos dedos das mãos e dos pés e são mais frequentes no inverno porque, segundo Margarida Gonçalo, “a exposição mais prolongada ao frio causa constrição das artérias da pele e a redução da irrigação sanguínea e falta de oxigénio nos tecidos”.

Doenças autoimunes

Os fatores ambientais têm um papel importante no desenvolvimento e agravamento de algumas doenças autoimunes.

Por exemplo, as mudanças de temperatura “podem confundir o sistema imunitário e levá-lo a atacar o corpo por engano” e também “podem causar surtos, agravando os sintomas” de doenças pré-existentes, refere-se num texto da Associação Autoimune, uma organização norte-americana.

fenómeno (ou síndromede Raynaud é um bom exemplo. Esta condição, “que afeta o fornecimento de sangue a certas partes do corpo (geralmente os dedos das mãos e dos pés)”, é, sobretudo, “desencadeada por temperaturas frias, ansiedade ou stress”, esclarece-se num texto do NHS.

A doença ocorre “porque os vasos sanguíneos entram em espasmo temporário, o que bloqueia o fluxo sanguíneo” e isso “faz com que a área afetada mude de cor para branco, depois azul e depois vermelho, à medida que o fluxo sanguíneo retorna”.

As pessoas com Raynaud também podem “sentir dormênciador e formigueiro” e os sintomas “podem durar de alguns minutos a várias horas”.

De: https://viral.sapo.pt