Rede Nacional de vigilância VigiRSV assinala um ano de atividade.

O projeto de vigilância da infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), a rede VigiRSV, assinala um ano de atividade. A iniciativa, da responsabilidade da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP) e do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), está já presente em 17 hospitais a nível nacional e resultou, até ao momento, em inúmeras apresentações à comunidade médica para sensibilizar para as infeções pelo VSR e o seu impacto na sociedade.

Com o objetivo de representar mais um passo no conhecimento e alerta para o vírus responsável pela principal causa de infeções do trato respiratório inferior em crianças com menos de 2 anos de idade, a rede VigiRSV foi inicialmente lançada em quatro centros em Portugal (Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, Centro Hospitalar Universitário de São João, no Porto, Hospital Pediátrico do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra e Hospital Central do Funchal) e pretende continuar a expandir-se a nível nacional para permitir a recolha de dados fidedignos sobre a epidemiologia e o impacto da infeção por este vírus.

De acordo com o INSA, ao longo dos últimos 12 meses, o projeto tem apresentado um crescimento constante e sustentado, estando também a ser considerado o seu alargamento a outros grupos etários de modo a ter uma caraterização mais completa da infeção na população portuguesa. Inês Azevedo, presidente da SPP, afirma que durante este ano “foi possível verificar uma grande adesão a esta rede, que se comprova com a sua expansão no que ao número que hospitais diz respeito”. “Estamos muito orgulhosos por fazer parte deste projeto pioneiro e inovador no nosso país”, sublinha a responsável.

Já Ana Paula Rodrigues, médica de Saúde Pública do Departamento de Epidemiologia do INSA, considera que a rede VigiRSV tem possibilitado “a obtenção de dados concretos para uma real caracterização da patologia e do seu impacto na população, permitindo o desenvolvimento de estratégias concretas de abordagem ao VSR e mitigando o seu impacto e a sua incidência”. A especialista do INSA salienta ainda que esta rede “permite complementar o diagnóstico laboratorial com a caraterização genética dos vírus detetados em cada inverno, e a integração desta informação com os dados epidemiológicos”.

O VSR afeta sobretudo crianças até ao primeiro ano de vida e é das principais causas de hospitalização nesta idade, estimando-se que 90% das crianças até aos 2 anos de idade serão infetadas pelo mesmo. Este vírus respiratório é responsável por cerca de 60% a 80% dos casos de bronquiolite e 40% de pneumonias nesta faixa etária. Não existe atualmente vacina aprovada nem tratamento específico para as infeções causadas pelo VSR em crianças, contudo, os recentes desenvolvimentos referentes aos anticorpos monoclonais trazem uma nova esperança na prevenção em todas as crianças.

Na Europa, a maioria dos países apresenta um registo de casos de VSR associado a uma rede de vigilância já existente, como a da gripe. No entanto, são poucos os países que têm uma rede de vigilância específica e exclusiva para este vírus, caso do Reino Unido e França, podendo Portugal estar entre os pioneiros neste campo.

De: https://www.sns.gov.pt/noticias/2022/07/19/projeto-de-vigilancia-da-infecao-pelo-virus-vsr/