Dez equipas comunitárias vão ser criadas até ao final de 2022.

Até ao final deste ano vão ser criadas dez equipas comunitárias de saúde mental, um dos pilares do Plano Nacional de Saúde Mental, que prevê retirar doentes crónicos dos hospitais psiquiátricos e criar três unidades de transição para inimputáveis.

O coordenador nacional das políticas de saúde mental, Miguel Xavier, refere, em entrevista à agência Lusa, a importância de prestar estes cuidados o mais próximo possível do local onde as pessoas vivem, facilitando o acesso e reduzindo o estigma.

O responsável lembra a necessidade de estas equipas multidisciplinares, que estão a receber formação, funcionarem em articulação com os cuidados de saúde primários, o que não implica que «tenham de estar nos centros de saúde».

Miguel Xavier aponta que estas dez equipas comunitárias, com profissionais de várias áreas, juntam-se às dez criadas no ano passado. Devem seguir-se outras cinco em 2023, dez em 2014 e cinco em 2025. No total, serão 40, espalhadas por todas as regiões do país, metade para adultos e metade para crianças.

Quanto à retirada de doentes crónicos das instituições, outra das prioridades, diz que poderão ser entre 200 a 300 pessoas. O responsável explica que o que se pretende é «criar condições na comunidade para que possam receber algumas das pessoas que vivem nos hospitais psiquiátricos, mas que (…) podem viver na comunidade».

Miguel Xavier destaca a importância de garantir «que o processo de transição se faz de uma forma correta» e que as pessoas saídas dos hospitais manterão «exatamente os mesmos cuidados», acrescentando que também é importante atender à vontade do doente. Para acolher estes doentes, vão ser abertas candidaturas para instituições do setor social, privado e público se proporem a dar estas respostas.

As quatro unidades a criar nos hospitais gerais para receber doentes agudos vão abrir à medida que forem fechando os hospitais psiquiátricos. «Em todos os quatro serviços os contratos para a construção já foram assinados», explica.

Sobre a área dos doentes inimputáveis, recorda que, no âmbito do Ministério da Saúde, o que está previsto é a requalificação do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa e Hospital de Magalhães Lemos (Porto) e uma intervenção maior no Hospital Sobral Cid (Coimbra), que no futuro será uma nova estrutura, num projeto que já foi entregue à Administração Central dos Sistemas de Saúde.

Miguel Xavier destaca ainda a dificuldade de muitas vezes se encontrar vagas nas unidades de inimputáveis para pessoas que já têm uma decisão nesse sentido, motivo pelo qual foi proposta a criação de três unidades de transição.

De: https://www.sns.gov.pt/noticias/2022/07/04/plano-nacional-de-saude-mental/